domingo, 16 de junho de 2013

As Melhores Viagens da Minha Vida Eu Fiz Sem Sair do Lugar

jornada

A Leitura no Desenvolvimento da Criança

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A Leitura é para o Intelecto o que o Exercício é para o Corpo

frase leitura pra facebook

9 Formas de Estimular a Leitura

 

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PROPOSTA DE DIVERSAS SITUAÇÕES DE APRENDIZAGEM

INTRODUÇÃO

ESTRATÉGIAS DE ENSINO
 
Estratégias são as intervenções realizadas no meio escolar para favorecer a mudança e promover a aprendizagem dos alunos.
Em sala de aula, deparamos com situações diversificadas que exigem diferentes estratégias de trabalho. Estas, inicialmente, dependem de uma interação professor - aluno.
Ao iniciar um trabalho com cada gênero observamos uma situação na qual os alunos se mostram, muitas vezes, despreparados para compreender sozinhos, aquele determinado gênero. É nesse momento que a intervenção do professor torna-se fundamental, já que é seu papel o de facilitador e mediador entre aluno e conteúdo.  Sendo que a primeira intervenção é a identificação do conhecimento prévio para delimitar aquilo que o professor tem a complementar.
Em seguida, tem que se adequar as sequências didáticas à realidade daquela turma,  através de estratégias organizadas a partir da idade e da série em que estão inseridos.  Buscando apresentar os gêneros de acordo com a função social de cada um, das esferas discursivas, entre outros, para que os alunos atribuam sentido ao aprendizado.
A partir disso é preciso delimitar os objetivos a serem atingidos na proposta das sequências didáticas que, ao mesmo tempo em que deve ser um desafio, deve também ser uma atividade possível de ser realizada.
Na organização dessas atividades, o professor age como um mediador,  ao propor o tempo e a ordenação do que deve ser realizado, facilitando assim a produção por meio da qual será possível avaliar a transformação.

SITUAÇÕES DE APRENDIZAGEM
 

             Baseadas no texto Pausa de Moacyr Scliar e no filme Click.
 
 
SITUAÇÃO DE APRENDIZAGEM I
 
Os alunos deverão assistir ao Filme “Click”, com Adam Sandler, e posteriormente fazer oralmente uma comparação de informações com as diferentes pausas na vida deles.

  

 

SITUAÇÃO DE APRENDIZAGEM II
 
Inferências e os conhecimentos prévios em nível de título e autor.

Antes de entregar o texto aos alunos, ler para eles o título e o nome do autor e fazer os seguintes questionamentos orais:
a) Perguntar aos alunos sobre a palavra “pausa”, qual significado a que ela remete?
b) Sobre o que ele acha que vai tratar o texto “Pausa”? (trabalhar o título do texto, levantamento de hipóteses e conhecimento prévio).
 
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PAUSA
          
          Às sete horas o despertador tocou. Samuel saltou da cama, correu para o banheiro. Fez a barba e lavou-se. Vestiu-se rapidamente e sem ruído. Estava na cozinha, preparando sanduíches, quando a mulher apareceu, bocejando:
          —Vais sair de novo, Samuel?
      Fez que sim com a cabeça. Embora jovem, tinha a fronte calva; mas as sobrancelhas eram espessas, a barba, embora recém-feita, deixava ainda no rosto uma sombra azulada. O conjunto era uma máscara escura.
          —Todos os domingos tu sais cedo – observou a mulher com azedume na voz.
          —Temos muito trabalho no escritório – disse o marido, secamente.
Ela olhou os sanduíches:
          —Por que não vens almoçar?
          —Já te disse: muito trabalho. Não há tempo. Levo um lanche.
A mulher coçava a axila esquerda. Antes que voltasse a carga, Samuel pegou o chapéu:
          —Volto de noite.
As ruas ainda estavam úmidas de cerração. Samuel tirou o carro da garagem. Guiava vagarosamente, ao longo do cais, olhando os guindastes, as barcaças atracadas.
Estacionou o carro numa travessa quieta. Com o pacote de sanduíches debaixo do braço, caminhou apressadamente duas quadras. Deteve-se ao chegar a um hotel pequeno e sujo. Olhou para os lados e entrou furtivamente. Bateu com as chaves do carro no balcão, acordando um homenzinho que dormia sentado numa poltrona rasgada. Era o gerente. Esfregando os olhos, pôs-se de pé:
          —Ah! Seu Isidoro! Chegou mais cedo hoje. Friozinho bom este, não é? A gente...
          —Estou com pressa, seu Raul – atalhou Samuel.
          —Está bem, não vou atrapalhar. O de sempre - Estendeu a chave.
Samuel subiu quatro lanços de uma escada vacilante. Ao chegar ao último andar, duas mulheres gordas, de chambre floreado, olharam-no com curiosidade:
          —Aqui, meu bem! – uma gritou, e riu: um cacarejo curto.
Ofegante, Samuel entrou no quarto e fechou a porta a chave. Era um aposento pequeno: uma cama de casal, um guarda-roupa de pinho: a um canto, uma bacia cheia d’água, sobre um tripé. Samuel correu as cortinas esfarrapadas, tirou do bolso um despertador de viagem, deu corda e colocou-o na mesinha de cabeceira.
Puxou a colcha e examinou os lençóis com o cenho franzido; com um suspiro, tirou o casaco e os sapatos, afrouxou a gravata. Sentado na cama, comeu vorazmente quatro sanduíches. Limpou os dedos no papel de embrulho, deitou-se fechou os olhos.
Dormir.
Em pouco, dormia. Lá embaixo, a cidade começava a move-se: os automóveis buzinando, os jornaleiros gritando, os sons longínquos.
Um raio de sol filtrou-se pela cortina, estampou um círculo luminoso no chão carcomido. 
Samuel dormia; sonhava. Nu, corria por uma planície imensa, perseguido por um índio montado o cavalo. No quarto abafado ressoava o galope. No planalto da testa, nas colinas do ventre, no vale entre as pernas, corriam. Samuel mexia-se e resmungava. Às duas e meia da tarde sentiu uma dor lancinante nas costas. Sentou-se na cama, os olhos esbugalhados: o índio acabava de trespassá-lo com a lança. Esvaindo-se em sangue, molhando de suor, Samuel tombou lentamente; ouviu o apito soturno de um vapor. Depois, silêncio.
Às sete horas o despertador tocou. Samuel saltou da cama, correu para a bacia, levou-se. Vestiu-se rapidamente e saiu.
Sentado numa poltrona, o gerente lia uma revista.
          —Já vai, seu Isidoro?
          —Já – disse Samuel, entregando a chave. Pagou, conferiu o troco em silêncio.
          —Até domingo que vem, seu Isidoro – disse o gerente.
          —Não sei se virei – respondeu Samuel, olhando pela porta; a noite caia.
          —O senhor diz isto, mas volta sempre – observou o homem, rindo.
Samuel saiu.
Ao longo dos cais, guiava lentamente. Parou um instante, ficou olhando os guindastes recortados contra o céu avermelhado. Depois, seguiu. Para casa.
 
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          Após a leitura silenciosa, começar a levantar as hipóteses dos alunos, confirmando-as ou não, a partir do texto, expondo na lousa, para facilitar a visualização.
 
          a) Então, a “pausa” que vocês falaram, é a mesma da mencionada no texto?
 
          b) Quais os outros significados para a palavra “pausa” que encontramos  após a leitura?


SITUAÇÃO DE APRENDIZAGEM III
 
 
Elaborar, então, alguns cartazes, em grupo, sobre a significação do texto para os alunos, propiciando uma situação de aprendizagem em que os que têm menos dificuldades auxiliarão aqueles com mais dificuldades, levando em consideração as propostas de Roxane Rojo (em relação à heterogeneidade) e a de Marinho Américo e Zoraide Silva.  Nesse momento, faz-se o trabalho de busca dos significados das palavras desconhecidas. É feito um trabalho com vocabulário com relação as palavras desconhecidas, como “barcaça”, “vacilante”, entre outros, e a pesquisa em torno do autor, em busca da intencionalidade deste ao escrever o texto – essas atividades podem ser realizadas na sala de informática, antecedendo a produção dos cartazes.
 
SITUAÇÃO DE APRENDIZAGEM IV
 
Segue-se com a apresentação dos cartazes para a sala promovendo a interação entre aluno e professor e entre aluno e aluno, aproveitando para retornar à checagem de hipóteses.
 
SITUAÇÃO DE APRENDIZAGEM V
 
Após a realização dessas atividades em torno da leitura realizada pelos próprios alunos, o professor lerá o texto oralmente na sala, como se fosse um “contador de histórias”, pois, acreditamos que a leitura realizada pelo docente pode alterar a significação do texto, reconstruindo-a. Isso acontece porque o docente obedece às pausas que são fundamentais para o sentido do texto, as quais são dadas a partir da utilização da pontuação e de período curtos, entrecortados, o que pode, a primeira vista, passar despercebido ao aluno do  6ºano.
 SITUAÇÃO DE APRENDIZAGEM VI
 
           Apresentar ao aluno o gênero CRÔNICA (sua função social, características e meio de circulação) pode-se aproveitar, para trabalhar com a pontuação (o ponto final e a vírgula) no sentido de que é ela a responsável pelas pausas nos textos escritos.  Isso pode ser feito por meio da pesquisa dos alunos em uma gramática levada para a sala de aula para que eles cheguem à função da pontuação nos textos.
 
SITUAÇÃO DE APREDIZAGEM VII
          Depois da leitura do professor, conclui-se a etapa de checagem de hipóteses e parte-se para a localização de informações explícitas e implícitas no texto, o que pode ser feito em uma roda de conversa, que tem o objetivo de refletir sobre o texto e trocar informações e experiências de vida. Eles já sentiram essa necessidade na vida deles?
 
  SITUAÇÃO DE APRENDIZAGEM VIII
 
Construção de uma crônica a partir das experiências individuais de cada aluno.
 

Local da aula – Salas de multimídia e informática
 
Público alvo – 6º ano
 
Número de aulas – 09 a 10 aulas
 

(DOLZ, Joaquim e SCHNEUWLY, Bernard e colaboradores. Gêneros Orais e Escritos na Escola. Trad. e organiz. ROJO, Roxane e CORDEIRO, Glaís Sales. 2 ed., Campinas, SP: 2010.P.50 a 53.
ROJO, Roxane. Letramentos múltiplus, escola e inclusão social. São Paulo: Parábola Editorial, 2009.
SCLIAR, Moacyr. In BOSI, Alfredo (org.). O Conto Brasileiro Contemporâneo. São Paulo: Ed. Cultrix, s/d. pp. 275-277.
Filme Click, 2006. Revolution. Columbia Pictures)

Desenvolvendo as competências escritora e leitora dos nossos alunos

Trabalhando a leitura e a escrita
Público-alvo: alunos do 6º ano

Crônica sugerida
NO AEROPORTO

Viajou meu amigo Pedro. Fui levá-lo ao Galeão, onde esperamos três horas o seu quadrimotor. Durante esse tempo, não faltou assunto para nos entretermos, embora não falássemos da vã e numerosa matéria atual. Sempre tivemos muito assunto, e não deixamos de explorá-lo a fundo. Embora Pedro seja extremamente parco de palavras, e, a bem dizer, não se digne de pronunciar nenhuma. Quando muito, emite sílabas; o mais é conversa de gestos e expressões pelos quais se faz entender admiravelmente. É o seu sistema.
Passou dois meses e meio em nossa casa, e foi hóspede ameno. Sorria para os moradores, com ou sem motivo plausível. Era a sua arma, não direi secreta, porque ostensiva. A vista da pessoa humana lhe dá prazer. Seu sorriso foi logo considerado sorriso especial, revelador de suas boas intenções para com o mundo ocidental e oriental, e em particular o nosso trecho de rua. Fornecedores, vizinhos e desconhecidos, gratificados com esse sorriso (encantador, apesar da falta de dentes), abonam a classificação.
Devo dizer que Pedro, como visitante, nos deu trabalho; tinha horários especiais, comidas especiais, roupas especiais, sabonetes especiais, criados especiais. Mas sua simples presença e seu sorriso compensariam providências e privilégios maiores.
Recebia tudo com naturalidade, sabendo-se merecedor das distinções, e ninguém se lembraria de achá-lo egoísta ou importuno. Suas horas de sono - e lhe apraz dormir não só à noite como principalmente de dia - eram respeitadas como ritos sagrados, a ponto de não ousarmos erguer a voz para não acordá-lo. Acordaria sorrindo, como de costume, e não se zangaria com a gente, porém nós mesmos é que não nos perdoaríamos o corte de seus sonhos.
Assim, por conta de Pedro, deixamos de ouvir muito concerto para violino e orquestra, de Bach, mas também nossos olhos e ouvidos se forraram à tortura da tevê. Andando na ponta dos pés, ou descalços, levamos tropeções no escuro, mas sendo por amor de Pedro não tinha importância.
Objetos que visse em nossa mão, requisitava-os. Gosta de óculos alheios (e não os usa), relógios de pulso, copos, xícaras e vidros em geral, artigos de escritório, botões simples ou de punho. Não é colecionador; gosta das coisas para pegá-las, mirá-las e (é seu costume ou sua mania, que se há de fazer) pô-las na boca. Quem não o conhecer dirá que é péssimo costume, porém duvido que mantenha este juízo diante de Pedro, de seu sorriso sem malícia e de suas pupilas azuis — porque me esquecia de dizer que tem olhos azuis, cor que afasta qualquer suspeita ou acusação apressada, sobre a razão íntima de seus atos.
Poderia acusá-lo de incontinência, porque não sabia distinguir entre os cômodos, e o que lhe ocorria fazer, fazia em qualquer parte? Zangar-me com ele porque destruiu a lâmpada do escritório? Não. Jamais me voltei para Pedro que ele não me sorrisse; tivesse eu um impulso de irritação, e me sentiria desarmado com a sua azul maneira de olhar-me. Eu sabia que essas coisas eram indiferentes à nossa amizade — e, até, que a nossa amizade lhe conferia caráter necessário de prova; ou gratuito, de poesia e jogo.
Viajou meu amigo Pedro. Fico refletindo na falta que faz um amigo de um ano de idade a seu companheiro já vivido e puído. De repente o aeroporto ficou vazio.

Carlos Drummond de Andrade

Atividades propostas
Trabalhando a oralidade
     1)  Fazer a leitura do 1º parágrafo do texto e indagar  a respeito de quem poderia ser Pedro. Repetir a mesma estratégia com os demais parágrafos do texto.
     2)  Montar um quadro na lousa com as hipóteses levantadas pelos alunos com  as justificativas adequadas para cada hipótese.
     3) Pedir uma pesquisa para os alunos sobre o autor Carlos D. de Andrade

Interpretação de texto

     4)  Este texto de Drummond fala sobre o que?
     5) Onde se passa a história e com quem?
O que é Galeão? ( Localizar informações, inferências locais)
Ainda fazendo inferências: Por que a relação do narrador com Pedro nos parece estranho (antes do desfecho)?
     6) Qual foi a intenção do autor ao expor o estranho comportamento de seu amigo?

Intertextualidade
Texto:  “Trem- Fantasma”, de Nilton Maciel.

Trem-fantasma
-
O maquinista, logo após o desastre, deu um grito, levou as mãos à cabeça, pôs-se a chorar e recostou-se a um canto da parede, sentando-se. Descuido? Imprudência? A locomotiva partiu da estação primeira já em alta velocidade e, num segundo, alcançou a segunda, a terceira, feito bala, apitando, sem parar em nenhuma estação. Quando o maquinista percebeu o perigo, não havia mais tempo para frear o trem. O precipício abria-se à sua frente, profundo, mortal. O homenzinho fez careta, arregalou os olhos: os vagões resvalaram, despedaçando-se no fundo do abismo. "Ó meu Deus!" Porém, havia um consolo: nenhum passageiro havia subido aos vagonetes. E ajudantes ele nunca teve. Assim, nada de vítimas. Mais sossegado, enxugou as lágrimas e engatinhou até o primeiro pedaço do trem. Pôs-se a juntar um a um os restos do veículo. Olhou para cima, para a grande mesa da sala, onde o desastre teve início.
                                                           Nilto Maciel

    7)  Interdiscursividade na estética: O que há em comum  entre os textos?
    8) Apreciações estética afetiva: Qual dos dois textos surpreende mais?
    9)  No texto de Drummond, se o amigo Pedro não fosse uma criança, as atitudes compreensivas do narrador seriam as mesmas?
   10)  O velho e a criança tem muito em comum.
a)      Quais as marcas do texto mostram essas semelhanças?
b)      O narrador é jovem ou velho? Justifique com palavras do texto.

              Um poucode gramática
 11)  Retirar palavras e expressões que deem dicas de quem é Pedro, procurando classificá-las morfologicamente e explicando a sua função no texto.

   Redação

  12)  Propor a produção de um pequeno texto narrativo, em grupos, que seja surpreendente, em que o grupo deva fazer o jogo de mostrar e ocultar, para apresentar a classe de forma dinâmica.

sexta-feira, 14 de junho de 2013


Caros colegas,
Este vídeo é sobre um Projeto de Leitura e Escrita feito em uma escola de São Carlos para trabalhar a competência leitora. Achei muito interessante.
Abraços