Blog sobre leitura e escrita em Língua Portuguesa. Desenvolvido como parte do curso de formação de educadores a distância da Escola de Formação de Professores do Estado de São Paulo, tendo por objetivo desenvolver competências de ensino que utilizem meios de comunicação digitais. Para isso convidamos todos os educadores que tenham experiências no desbravamento desta nova fronteira digital do ensino a compartilharem seus conhecimentos conosco.
domingo, 16 de junho de 2013
PROPOSTA DE DIVERSAS SITUAÇÕES DE
APRENDIZAGEM
INTRODUÇÃO
ESTRATÉGIAS DE ENSINO
Estratégias são as intervenções
realizadas no meio escolar para favorecer a mudança e promover a aprendizagem
dos alunos.
Em sala de aula, deparamos com
situações diversificadas que exigem diferentes estratégias de trabalho. Estas,
inicialmente, dependem de uma interação professor - aluno.
Ao iniciar um trabalho com cada
gênero observamos uma situação na qual os alunos se mostram, muitas vezes,
despreparados para compreender sozinhos, aquele determinado gênero. É nesse
momento que a intervenção do professor torna-se fundamental, já que é seu papel
o de facilitador e mediador entre aluno e conteúdo. Sendo que a primeira
intervenção é a identificação do conhecimento prévio para delimitar aquilo que
o professor tem a complementar.
Em seguida, tem que se adequar as sequências didáticas à realidade daquela turma, através de estratégias organizadas a partir da idade e da série em que estão inseridos. Buscando apresentar os gêneros de acordo com a função social de cada um, das esferas discursivas, entre outros, para que os alunos atribuam sentido ao aprendizado.
A partir disso é preciso delimitar os objetivos a serem atingidos na proposta das sequências didáticas que, ao mesmo tempo em que deve ser um desafio, deve também ser uma atividade possível de ser realizada.
Na organização dessas atividades, o professor age como um mediador, ao propor o tempo e a ordenação do que deve ser realizado, facilitando assim a produção por meio da qual será possível avaliar a transformação.
SITUAÇÕES DE APRENDIZAGEM
Baseadas no texto Pausa de Moacyr Scliar e no filme Click.
SITUAÇÃO DE APRENDIZAGEM I
Os alunos deverão assistir ao Filme
“Click”, com Adam Sandler, e posteriormente fazer oralmente uma comparação de
informações com as diferentes pausas na vida deles.
SITUAÇÃO DE APRENDIZAGEM II
Inferências e os conhecimentos prévios
em nível de título
e autor.
Antes de entregar o texto aos alunos, ler para eles o título e o nome do autor e fazer os seguintes questionamentos orais:
Antes de entregar o texto aos alunos, ler para eles o título e o nome do autor e fazer os seguintes questionamentos orais:
a) Perguntar aos alunos sobre a palavra “pausa”, qual
significado a que ela remete?
b) Sobre o que ele acha que vai tratar o texto “Pausa”?
(trabalhar o título do texto, levantamento de hipóteses e conhecimento prévio).
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PAUSA
Às sete horas o despertador tocou. Samuel saltou da cama, correu
para o banheiro. Fez a barba e lavou-se. Vestiu-se rapidamente e sem ruído.
Estava na cozinha, preparando sanduíches, quando a mulher apareceu, bocejando:
—Vais sair de novo, Samuel?
Fez que sim com a cabeça. Embora jovem, tinha a fronte calva; mas
as sobrancelhas eram espessas, a barba, embora recém-feita, deixava ainda no
rosto uma sombra azulada. O conjunto era uma máscara escura.
—Todos os domingos tu sais cedo – observou a mulher com
azedume na voz.
—Temos muito trabalho no escritório – disse o marido,
secamente.
Ela olhou os sanduíches:
—Por que não vens almoçar?
—Já te disse: muito trabalho. Não há tempo. Levo um lanche.
A mulher coçava a axila esquerda. Antes que voltasse a carga,
Samuel pegou o chapéu:
—Volto de noite.
As ruas ainda estavam úmidas de cerração. Samuel tirou o carro da
garagem. Guiava vagarosamente, ao longo do cais, olhando os guindastes, as
barcaças atracadas.
Estacionou o carro numa travessa quieta. Com o pacote de
sanduíches debaixo do braço, caminhou apressadamente duas quadras. Deteve-se ao
chegar a um hotel pequeno e sujo. Olhou para os lados e entrou furtivamente.
Bateu com as chaves do carro no balcão, acordando um homenzinho que dormia
sentado numa poltrona rasgada. Era o gerente. Esfregando os olhos, pôs-se de
pé:
—Ah! Seu Isidoro! Chegou mais cedo hoje. Friozinho bom
este, não é? A gente...
—Estou com pressa, seu Raul – atalhou Samuel.
—Está bem, não vou atrapalhar. O de sempre - Estendeu a
chave.
Samuel subiu quatro lanços de uma escada vacilante. Ao chegar ao
último andar, duas mulheres gordas, de chambre floreado, olharam-no com
curiosidade:
—Aqui, meu bem! – uma gritou, e riu: um cacarejo curto.
Ofegante, Samuel entrou no quarto e fechou a porta a chave. Era um
aposento pequeno: uma cama de casal, um guarda-roupa de pinho: a um canto, uma
bacia cheia d’água, sobre um tripé. Samuel correu as cortinas esfarrapadas,
tirou do bolso um despertador de viagem, deu corda e colocou-o na mesinha de
cabeceira.
Puxou a colcha e examinou os lençóis com o cenho franzido; com um
suspiro, tirou o casaco e os sapatos, afrouxou a gravata. Sentado na cama,
comeu vorazmente quatro sanduíches. Limpou os dedos no papel de embrulho,
deitou-se fechou os olhos.
Dormir.
Em pouco, dormia. Lá
embaixo, a cidade começava a move-se: os automóveis buzinando, os jornaleiros
gritando, os sons longínquos.
Um raio de sol filtrou-se pela cortina, estampou um círculo
luminoso no chão carcomido.
Samuel dormia; sonhava. Nu, corria por uma planície imensa,
perseguido por um índio montado o cavalo. No quarto abafado ressoava o galope.
No planalto da testa, nas colinas do ventre, no vale entre as pernas, corriam.
Samuel mexia-se e resmungava. Às duas e meia da tarde sentiu uma dor lancinante
nas costas. Sentou-se na cama, os olhos esbugalhados: o índio acabava de
trespassá-lo com a lança. Esvaindo-se em sangue, molhando de suor, Samuel
tombou lentamente; ouviu o apito soturno de um vapor. Depois, silêncio.
Às sete horas o despertador tocou. Samuel saltou da cama, correu
para a bacia, levou-se. Vestiu-se rapidamente e saiu.
Sentado numa poltrona, o gerente lia uma revista.
—Já vai, seu Isidoro?
—Já – disse Samuel, entregando a chave. Pagou, conferiu o
troco em silêncio.
—Até domingo que vem, seu Isidoro – disse o gerente.
—Não sei se virei – respondeu Samuel, olhando pela porta; a
noite caia.
—O senhor diz isto, mas volta sempre – observou o homem, rindo.
Samuel saiu.
Ao longo dos cais, guiava lentamente. Parou um instante, ficou
olhando os guindastes recortados contra o céu avermelhado. Depois, seguiu. Para
casa.
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Após a
leitura silenciosa, começar a levantar as hipóteses dos alunos, confirmando-as ou
não, a partir do texto, expondo na lousa, para facilitar a visualização.
a) Então, a “pausa” que vocês falaram, é a mesma da mencionada no texto?
b) Quais os outros significados para a palavra
“pausa” que encontramos após a leitura?
SITUAÇÃO DE APRENDIZAGEM
III
Elaborar, então, alguns cartazes, em grupo,
sobre a significação do texto para os alunos, propiciando uma situação de
aprendizagem em que os que têm menos dificuldades auxiliarão aqueles com mais
dificuldades, levando em consideração as propostas de Roxane
Rojo (em relação à heterogeneidade) e a
de Marinho Américo e Zoraide
Silva. Nesse momento, faz-se o trabalho de busca dos significados
das palavras desconhecidas. É feito um trabalho com vocabulário com relação as
palavras desconhecidas, como “barcaça”, “vacilante”,
entre outros, e a pesquisa em torno do autor, em busca da intencionalidade
deste ao escrever o texto – essas atividades podem ser realizadas na sala de
informática, antecedendo a produção dos cartazes.
SITUAÇÃO DE APRENDIZAGEM IV
Segue-se
com a apresentação dos cartazes para a sala promovendo a interação entre aluno
e professor e entre aluno e aluno, aproveitando para retornar à checagem de
hipóteses.
SITUAÇÃO DE APRENDIZAGEM V
Após
a realização dessas atividades em torno da leitura realizada pelos próprios
alunos, o professor lerá o texto oralmente na sala, como se fosse um “contador
de histórias”, pois, acreditamos que a leitura realizada pelo docente pode
alterar a significação do texto, reconstruindo-a. Isso acontece porque o
docente obedece às pausas que são fundamentais para o sentido do texto, as
quais são dadas a partir da utilização da pontuação e de período curtos, entrecortados, o que pode, a primeira vista, passar
despercebido ao aluno do 6ºano.
SITUAÇÃO DE APRENDIZAGEM VI
Apresentar ao aluno o gênero CRÔNICA
(sua função social, características e meio de circulação) pode-se aproveitar,
para trabalhar com a pontuação (o ponto final e a vírgula) no sentido de que é
ela a responsável pelas pausas nos textos escritos. Isso pode ser feito
por meio da pesquisa dos alunos em uma gramática levada para a sala de aula
para que eles cheguem à função da pontuação nos textos.
SITUAÇÃO DE
APREDIZAGEM VII
SITUAÇÃO DE APRENDIZAGEM VIII
Construção
de uma crônica a partir das experiências individuais de cada aluno.
Local
da aula – Salas de multimídia e informática
Público
alvo – 6º ano
Número de aulas – 09 a 10 aulas
(DOLZ, Joaquim e SCHNEUWLY, Bernard e colaboradores. Gêneros Orais e Escritos na Escola. Trad. e organiz. ROJO, Roxane e CORDEIRO, Glaís Sales. 2 ed., Campinas, SP: 2010.P.50 a 53.
ROJO, Roxane. Letramentos múltiplus, escola e inclusão social. São Paulo: Parábola Editorial, 2009.
SCLIAR, Moacyr. In BOSI, Alfredo (org.). O Conto Brasileiro Contemporâneo. São Paulo: Ed. Cultrix, s/d. pp. 275-277.
Filme Click, 2006. Revolution. Columbia Pictures)
ROJO, Roxane. Letramentos múltiplus, escola e inclusão social. São Paulo: Parábola Editorial, 2009.
SCLIAR, Moacyr. In BOSI, Alfredo (org.). O Conto Brasileiro Contemporâneo. São Paulo: Ed. Cultrix, s/d. pp. 275-277.
Filme Click, 2006. Revolution. Columbia Pictures)
Desenvolvendo as competências escritora e leitora dos nossos alunos
Trabalhando a leitura e a escrita
Público-alvo: alunos do 6º ano
Público-alvo: alunos do 6º ano
Crônica sugerida
NO AEROPORTO
Viajou meu amigo Pedro. Fui levá-lo ao Galeão, onde
esperamos três horas o seu quadrimotor. Durante esse tempo, não faltou assunto
para nos entretermos, embora não falássemos da vã e numerosa matéria atual.
Sempre tivemos muito assunto, e não deixamos de explorá-lo a fundo. Embora
Pedro seja extremamente parco de palavras, e, a bem dizer, não se digne de
pronunciar nenhuma. Quando muito, emite sílabas; o mais é conversa de gestos e
expressões pelos quais se faz entender admiravelmente. É o seu sistema.
Passou dois meses e meio em nossa casa, e foi hóspede
ameno. Sorria para os moradores, com ou sem motivo plausível. Era a sua arma,
não direi secreta, porque ostensiva. A vista da pessoa humana lhe dá prazer.
Seu sorriso foi logo considerado sorriso especial, revelador de suas boas
intenções para com o mundo ocidental e oriental, e em particular o nosso trecho
de rua. Fornecedores, vizinhos e desconhecidos, gratificados com esse sorriso
(encantador, apesar da falta de dentes), abonam a classificação.
Devo dizer que Pedro, como visitante, nos deu trabalho;
tinha horários especiais, comidas especiais, roupas especiais, sabonetes
especiais, criados especiais. Mas sua simples presença e seu sorriso compensariam
providências e privilégios maiores.
Recebia tudo com naturalidade, sabendo-se merecedor das
distinções, e ninguém se lembraria de achá-lo egoísta ou importuno. Suas horas
de sono - e lhe apraz dormir não só à noite como principalmente de dia - eram
respeitadas como ritos sagrados, a ponto de não ousarmos erguer a voz para não
acordá-lo. Acordaria sorrindo, como de costume, e não se zangaria com a gente,
porém nós mesmos é que não nos perdoaríamos o corte de seus sonhos.
Assim, por conta de Pedro, deixamos de ouvir muito
concerto para violino e orquestra, de Bach, mas também nossos olhos e ouvidos
se forraram à tortura da tevê. Andando na ponta dos pés, ou descalços, levamos
tropeções no escuro, mas sendo por amor de Pedro não tinha importância.
Objetos que visse em nossa mão, requisitava-os. Gosta de
óculos alheios (e não os usa), relógios de pulso, copos, xícaras e vidros em
geral, artigos de escritório, botões simples ou de punho. Não é colecionador;
gosta das coisas para pegá-las, mirá-las e (é seu costume ou sua mania, que se
há de fazer) pô-las na boca. Quem não o conhecer dirá que é péssimo costume,
porém duvido que mantenha este juízo diante de Pedro, de seu sorriso sem
malícia e de suas pupilas azuis — porque me esquecia de dizer que tem olhos
azuis, cor que afasta qualquer suspeita ou acusação apressada, sobre a razão
íntima de seus atos.
Poderia acusá-lo de incontinência, porque não sabia
distinguir entre os cômodos, e o que lhe ocorria fazer, fazia em qualquer
parte? Zangar-me com ele porque destruiu a lâmpada do escritório? Não. Jamais
me voltei para Pedro que ele não me sorrisse; tivesse eu um impulso de
irritação, e me sentiria desarmado com a sua azul maneira de olhar-me. Eu sabia
que essas coisas eram indiferentes à nossa amizade — e, até, que a nossa
amizade lhe conferia caráter necessário de prova; ou gratuito, de poesia e
jogo.
Viajou meu amigo Pedro. Fico refletindo na falta que faz
um amigo de um ano de idade a seu companheiro já vivido e puído. De repente o
aeroporto ficou vazio.
Carlos Drummond de Andrade
Atividades
propostas
Trabalhando a oralidade
1) Fazer
a leitura do 1º parágrafo do texto e indagar
a respeito de quem poderia ser Pedro. Repetir a mesma estratégia com os
demais parágrafos do texto.
2) Montar
um quadro na lousa com as hipóteses levantadas pelos alunos com as justificativas adequadas para cada
hipótese.
3) Pedir
uma pesquisa para os alunos sobre o autor Carlos D. de Andrade
Interpretação
de texto
4) Este
texto de Drummond fala sobre o que?
5) Onde
se passa a história e com quem?
O que é Galeão? ( Localizar
informações, inferências locais)
Ainda fazendo inferências: Por que
a relação do narrador com Pedro nos parece estranho (antes do desfecho)?
6) Qual
foi a intenção do autor ao expor o estranho comportamento de seu amigo?
Intertextualidade
Texto: “Trem- Fantasma”, de Nilton Maciel.
Trem-fantasma
-
O maquinista, logo após o desastre, deu um grito, levou as mãos à cabeça, pôs-se a chorar e recostou-se a um canto da parede, sentando-se. Descuido? Imprudência? A locomotiva partiu da estação primeira já em alta velocidade e, num segundo, alcançou a segunda, a terceira, feito bala, apitando, sem parar em nenhuma estação. Quando o maquinista percebeu o perigo, não havia mais tempo para frear o trem. O precipício abria-se à sua frente, profundo, mortal. O homenzinho fez careta, arregalou os olhos: os vagões resvalaram, despedaçando-se no fundo do abismo. "Ó meu Deus!" Porém, havia um consolo: nenhum passageiro havia subido aos vagonetes. E ajudantes ele nunca teve. Assim, nada de vítimas. Mais sossegado, enxugou as lágrimas e engatinhou até o primeiro pedaço do trem. Pôs-se a juntar um a um os restos do veículo. Olhou para cima, para a grande mesa da sala, onde o desastre teve início.
-
O maquinista, logo após o desastre, deu um grito, levou as mãos à cabeça, pôs-se a chorar e recostou-se a um canto da parede, sentando-se. Descuido? Imprudência? A locomotiva partiu da estação primeira já em alta velocidade e, num segundo, alcançou a segunda, a terceira, feito bala, apitando, sem parar em nenhuma estação. Quando o maquinista percebeu o perigo, não havia mais tempo para frear o trem. O precipício abria-se à sua frente, profundo, mortal. O homenzinho fez careta, arregalou os olhos: os vagões resvalaram, despedaçando-se no fundo do abismo. "Ó meu Deus!" Porém, havia um consolo: nenhum passageiro havia subido aos vagonetes. E ajudantes ele nunca teve. Assim, nada de vítimas. Mais sossegado, enxugou as lágrimas e engatinhou até o primeiro pedaço do trem. Pôs-se a juntar um a um os restos do veículo. Olhou para cima, para a grande mesa da sala, onde o desastre teve início.
Nilto Maciel
7) Interdiscursividade
na estética: O que há em comum entre os
textos?
8) Apreciações
estética afetiva: Qual dos dois textos surpreende mais?
9) No
texto de Drummond, se o amigo Pedro não fosse uma criança, as atitudes
compreensivas do narrador seriam as mesmas?
10) O
velho e a criança tem muito em comum.
a) Quais
as marcas do texto mostram essas semelhanças?
b) O
narrador é jovem ou velho? Justifique com palavras do texto.
Um poucode gramática
11)
Retirar palavras e expressões que deem
dicas de quem é Pedro, procurando classificá-las morfologicamente e explicando
a sua função no texto.
Redação
12)
Propor a produção de um pequeno texto
narrativo, em grupos, que seja surpreendente, em que o grupo deva fazer o jogo
de mostrar e ocultar, para apresentar a classe de forma dinâmica.
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