Blog sobre leitura e escrita em Língua Portuguesa.
Desenvolvido como parte do curso de formação de educadores a distância da Escola de Formação de Professores do Estado de São Paulo, tendo por objetivo desenvolver competências de ensino que utilizem meios de comunicação digitais.
Para isso convidamos todos os educadores que tenham experiências no desbravamento desta nova fronteira digital do ensino a compartilharem seus conhecimentos conosco.
terça-feira, 18 de junho de 2013
A Importância da Leitura
As tecnologias do mundo moderno fizeram com que as pessoas deixassem a leitura de livros de lado, o que resultou em jovens cada vez mais desinteressados pelos livros, possuindo vocabulários cada vez mais pobres.
A leitura é algo crucial para a aprendizagem do ser humano, pois é através dela que podemos enriquecer nosso vocabulário, obter conhecimento, dinamizar o raciocínio e a interpretação. Muitas pessoas dizem não ter paciência para ler um livro, no entanto isso acontece por falta de hábito, pois se a leitura fosse um hábito as pessoas saberiam apreciar uma boa obra literária, por exemplo.
Muitas coisas que aprendemos na escola são esquecidas com o tempo, pois não as praticamos. Através da leitura rotineira, tais conhecimentos se fixariam de forma a não serem esquecidos posteriormente. Dúvidas que temos ao escrever poderiam ser sanadas pelo hábito de ler; e talvez nem as teríamos, pois a leitura torna nosso conhecimento mais amplo e diversificado.
Durante a leitura descobrimos um mundo novo, cheio de coisas desconhecidas.
O hábito de ler deve ser estimulado na infância, para que o indivíduo aprenda desde pequeno que ler é algo importante e prazeroso, assim ele será um adulto culto, dinâmico e perspicaz. Saber ler e compreender o que os outros dizem nos difere dos animais irracionais, pois comer, beber e dormir até eles sabem; é a leitura, no entanto, que proporciona a capacidade de interpretação.
Toda escola, particular ou pública, deve fornecer uma educação de qualidade incentivando a leitura, pois dessa forma a população se torna mais informada e crítica.
Por Eliene Percilia
Meus filhos terão computadores, sim, mas antes terão livros. Sem livros, sem leitura, os nossos filhos serão incapazes de escrever - inclusive a sua própria história.Bill Gates
segunda-feira, 17 de junho de 2013
"Cada livro, cada volume que vês, tem alma. A alma de quem o escreveu e a alma dos que o leram e viveram e sonharam com ele. Cada vez que um livro muda de mãos, cada vez que alguém desliza o olhar pelas suas páginas, o seu espírito cresce e torna-se forte." Carlos Ruiz Zafón em “A sombra do vento”
Há mais coisas entre o texto e o
leitor do que supõe a nossa vã filosofia.
Ah! A Leitura! Sempre nos
surpreendendo, exigindo nossa máxima atenção. Um deslize e você está fora! Fora
do seu contexto. Sim. A leitura faz parte de um contexto, e que seja o mesmo em
que você está inserido, senão, meu caro, há de se desdobrar para absorvê-la. Importante
salientar que leitura se faz não somente de um texto escrito, mas da fala de
alguém, de imagens, de gestos, de expressões e de tantas outras formas de
linguagem, e que para obtermos uma leitura correta é preciso que se faça
inferências.
A leitura faz parte da nossa
competência comunicativa, estamos constantemente lendo, nossos conhecimentos
prévios de mundo e nosso acervo lingüístico nos possibilita esta prática. Basta
saber se estamos lendo de forma consciente, se somos capazes de inferir
informações implícitas no texto, de ler nas entrelinhas, de identificarmos o
real significado de um significante, tomando o referente como ponto de partida,
e mais, de refletirmos e tomarmos posições diante do que nos é apresentado. Saber
ler é uma habilidade adquirida com prática.
O que fazer para adquirirmos essa
prática? Sabendo que nosso desempenho
como leitores vai ao encontro de nossas expectativas enquanto ser pensante?
Primeiramente é preciso que se tome
consciência do porquê vou fazer tal leitura. Procuro respostas? Quero saber
mais sobre determinado assunto? É por que gosto do “texto” e este me
proporciona momentos de prazer ou simplesmente porque quero fazer da leitura
uma forma de expressão? Estando o objetivo da leitura compreendido, somos
motivados a fazê-la. Há uma razão concreta para praticá-la. A partir de então,
atentos ao seu chamado e conscientes de sua importância, tornamo-nos leitores
ativos e aos poucos conhecedores das “coisas que há entre o texto e o leitor”.
Como deve ser o ensino de redação escolar, para que o aluno amplie sua
capacidade de escrever textos e sinta prazer nessa atividade?
Antes de mais nada, é preciso ressaltar
a palavra “ampliar”; ela define o tipo de olhar que o professor deve ter para
com o aluno ao trabalhar a produção textual. A consciência de que o discente é
um falante nativo da língua e produz textos diariamente para se comunicar é
fundamental no processo de ensino-aprendizagem. Partindo dessa premissa, o
método e as técnicas utilizadas não só estarão adequadas como também serão
aceitas pelos alunos. Aceitar a diversidade lingüística e trabalhar a partir
dessa é essencial para que o aluno sinta-se valorizado e motivado a melhorar, a
“ampliar” sua competência lingüística, leitora e escritora. Cabe lembrar de que
o primeiro contato do aluno com a escrita é na escola e de que sua relação com
ela dependerá da experiência que tiver com ela.
Quanta responsabilidade! E o pior é que
não existe uma cartilha para o sucesso. Somente a experiência em sala de aula e
as tentativas, muitas vezes frustrantes, com atividades que exijam a escrita
dos alunos, é que podem ajudar o professor a encontrar o método mais eficaz de
ensino da produção textual.
Arrisco aqui, depois de uma experiência
de cinco anos em sala de aula, falar um pouco sobre o ensino da redação
escolar.
Como já foi dito, é importante valorizar a bagagem lingüística do aluno,
o que descarta a possibilidade de começar o trabalho com a produção escrita
apresentando aos alunos um texto com linguagem erudita; muito menos exigindo
que os mesmos produzam um texto usando essa linguagem. Outro detalhe importante
é trazer para ler e discutir em sala de aula textos atrativos, condizentes com
a realidade do aluno e que desperte o interesse dele pela leitura e mesmo para
a escrita.
Exigir a produção textual sem antes
apresentar o assunto e sem discutir o tema com os alunos fará com que o aluno
sinta-se incapaz, e isso pode prejudicar a sua trajetória como aluno de língua
portuguesa na escola. É importantíssimo tornar o assunto, a ser abordado na
redação, interessante. Escutar o ponto de vista do aluno, as reflexões que ele
supostamente fará após assistir atento a “performance” do professor - Sim! O
professor também é artista! Afinal, ele tem um público à espera de sua
apresentação - o tornará parte do processo ensino-aprendizagem e ele sentirá
orgulho disso.
Vale ressaltar que nem sempre a melhor
forma de ensinar a redação é pedindo que ele disserte sobre algo ou que narre
uma história. A elaboração de uma carta, de uma história em quadrinhos, de um
poema, de uma receita culinária ou até mesmo de uma piada, pode ser muito mais
divertida e eficaz.
Os exercícios com os recursos coesivos
é uma ótima pedida. Eles não só ajudam na concatenação das idéias, na unidade
textual, como também possibilitam ao aluno o contato com a norma culta de uma
maneira simples, objetiva e aceitável; já que é visível a importância da
gramática na produção de um bom texto. E eles gostam de aprender novas formas
de se dizer o que já se dizia. Aos poucos, esse trabalho com os mecanismos de
coesão, vai mostrando ao aluno a diferença entre a linguagem falada e a
escrita.
A leitura de um livro em sala de aula
junto com os alunos, capítulo por capítulo, durante uma semana que seja, e depois
propor uma discussão sobre o mesmo e uma redação livre sobre o que entendeu, o
que achou da história, da forma de escrever do autor, da apresentação das
personagens, do espaço, do enredo, é uma maneira descontraída de apresentar uma
estrutura narrativa ao aluno e fazer com que ele desperte seu senso crítico;
fundamental a todo leitor.
Afinal, atrair o aluno com bons textos
e com uma boa leitura desses, ainda é o ponto de partida para quem quer ter
sucesso no ensino da produção escrita.
Poema extraído do livro: AZEVEDO, Ricardo. Dezenove poemas desengonçados. São Paulo: Ática,1999.
Fragmento de um texto de Rubem Alves sobre o Prazer da Leitura
"Pois a leitura é igual à música. Para que a leitura dê prazer é preciso que quem lê domine a técnica de ler. A leitura não dá prazer quando o leitor é igual ao pianeiro: sabem juntar as letras, dizer o que significam — mas não têm o domínio da técnica. O pianista dominou a técnica do piano quando não precisa pensar nos dedos e nas notas: ele só pensa na música. O leitor dominou a técnica da leitura quando não precisa pensar em letras e palavras: só pensa nos mundos que saem delas; quando ler é o mesmo que viajar."
ALVES, Rubem, 2001. Coletânea de Textos. Programa de Formação de Professores Alfabetizadores. Ministério da Educação.
Estratégias são as intervenções
realizadas no meio escolar para favorecer a mudança e promover a aprendizagem
dos alunos.
Em sala de aula, deparamos com
situações diversificadas que exigem diferentes estratégias de trabalho. Estas,
inicialmente, dependem de uma interação professor - aluno.
Ao iniciar um trabalho com cada
gênero observamos uma situação na qual os alunos se mostram, muitas vezes,
despreparados para compreender sozinhos, aquele determinado gênero. É nesse
momento que a intervenção do professor torna-se fundamental, já que é seu papel
o de facilitador e mediador entre aluno e conteúdo. Sendo que a primeira
intervenção é a identificação do conhecimento prévio para delimitar aquilo que
o professor tem a complementar.
Em seguida, tem que se adequar as sequências didáticas à realidade daquela turma, através de estratégias organizadas a partir da idade e da série em que estão inseridos. Buscando apresentar os gêneros de acordo com a função social de cada um, das esferas discursivas, entre outros, para que os alunos atribuam sentido ao aprendizado.
A partir disso é preciso delimitar os objetivos a serem atingidos na proposta das sequências didáticas que, ao mesmo tempo em que deve ser um desafio, deve também ser uma atividade possível de ser realizada.
Na organização dessas atividades, o professor age como um mediador, ao propor o tempo e a ordenação do que deve ser realizado, facilitando assim a produção por meio da qual será possível avaliar a transformação.
SITUAÇÕES DE APRENDIZAGEM
Baseadas no texto Pausa de Moacyr Scliar e no filme Click.
SITUAÇÃO DE APRENDIZAGEM I
Os alunos deverão assistir ao Filme
“Click”, com Adam Sandler, e posteriormente fazer oralmente uma comparação de
informações com as diferentes pausas na vida deles.
SITUAÇÃO DE APRENDIZAGEM II
Inferências e os conhecimentos prévios
emnível de título
e autor.
Antes de entregar o texto aos alunos, ler para eles o título
e o nome do autor e fazer os seguintes questionamentos orais:
a) Perguntar aos alunos sobre a palavra “pausa”, qual
significado a que ela remete?
b) Sobre o que ele acha que vai tratar o texto “Pausa”?
(trabalhar o título do texto, levantamento de hipóteses e conhecimento prévio).
Às sete horas o despertador tocou. Samuel saltou da cama, correu
para o banheiro. Fez a barba e lavou-se. Vestiu-se rapidamente e sem ruído.
Estava na cozinha, preparando sanduíches, quando a mulher apareceu, bocejando:
—Vais sair de novo, Samuel?
Fez que sim com a cabeça. Embora jovem, tinha a fronte calva; mas
as sobrancelhas eram espessas, a barba, embora recém-feita, deixava ainda no
rosto uma sombra azulada. O conjunto era uma máscara escura.
—Todos os domingos tu sais cedo – observou a mulher com
azedume na voz.
—Temos muito trabalho no escritório – disse o marido,
secamente.
Ela olhou os sanduíches:
—Por que não vens almoçar?
—Já te disse: muito trabalho. Não há tempo. Levo um lanche.
A mulher coçava a axila esquerda. Antes que voltasse a carga,
Samuel pegou o chapéu:
—Volto de noite.
As ruas ainda estavam úmidas de cerração. Samuel tirou o carro da
garagem. Guiava vagarosamente, ao longo do cais, olhando os guindastes, as
barcaças atracadas.
Estacionou o carro numa travessa quieta. Com o pacote de
sanduíches debaixo do braço, caminhou apressadamente duas quadras. Deteve-se ao
chegar a um hotel pequeno e sujo. Olhou para os lados e entrou furtivamente.
Bateu com as chaves do carro no balcão, acordando um homenzinho que dormia
sentado numa poltrona rasgada. Era o gerente. Esfregando os olhos, pôs-se de
pé:
—Ah! Seu Isidoro! Chegou mais cedo hoje. Friozinho bom
este, não é? A gente...
—Estou com pressa, seu Raul – atalhou Samuel.
—Está bem, não vou atrapalhar. O de sempre - Estendeu a
chave.
Samuel subiu quatro lanços de uma escada vacilante. Ao chegar ao
último andar, duas mulheres gordas, de chambre floreado, olharam-no com
curiosidade:
—Aqui, meu bem! – uma gritou, e riu: um cacarejo curto.
Ofegante, Samuel entrou no quarto e fechou a porta a chave. Era um
aposento pequeno: uma cama de casal, um guarda-roupa de pinho: a um canto, uma
bacia cheia d’água, sobre um tripé. Samuel correu as cortinas esfarrapadas,
tirou do bolso um despertador de viagem, deu corda e colocou-o na mesinha de
cabeceira.
Puxou a colcha e examinou os lençóis com o cenho franzido; com um
suspiro, tirou o casaco e os sapatos, afrouxou a gravata. Sentado na cama,
comeu vorazmente quatro sanduíches. Limpou os dedos no papel de embrulho,
deitou-se fechou os olhos.
Dormir.
Em pouco, dormia. Lá
embaixo, a cidade começava a move-se: os automóveis buzinando, os jornaleiros
gritando, os sons longínquos.
Um raio de sol filtrou-se pela cortina, estampou um círculo
luminoso no chão carcomido.
Samuel dormia; sonhava. Nu, corria por uma planície imensa,
perseguido por um índio montado o cavalo. No quarto abafado ressoava o galope.
No planalto da testa, nas colinas do ventre, no vale entre as pernas, corriam.
Samuel mexia-se e resmungava. Às duas e meia da tarde sentiu uma dor lancinante
nas costas. Sentou-se na cama, os olhos esbugalhados: o índio acabava de
trespassá-lo com a lança. Esvaindo-se em sangue, molhando de suor, Samuel
tombou lentamente; ouviu o apito soturno de um vapor. Depois, silêncio.
Às sete horas o despertador tocou. Samuel saltou da cama, correu
para a bacia, levou-se. Vestiu-se rapidamente e saiu.
Sentado numa poltrona, o gerente lia uma revista.
—Já vai, seu Isidoro?
—Já – disse Samuel, entregando a chave. Pagou, conferiu o
troco em silêncio.
—Até domingo que vem, seu Isidoro – disse o gerente.
—Não sei se virei – respondeu Samuel, olhando pela porta; a
noite caia.
—O senhor diz isto, mas volta sempre – observou o homem, rindo.
Samuel saiu.
Ao longo dos cais, guiava lentamente. Parou um instante, ficou
olhando os guindastes recortados contra o céu avermelhado. Depois, seguiu. Para
casa.
Após a
leitura silenciosa, começar a levantar as hipóteses dos alunos, confirmando-as ou
não, a partir do texto, expondo na lousa, para facilitar a visualização.
a) Então, a “pausa” que vocês falaram, é a mesma da mencionada no texto?
b) Quais os outros significados para a palavra
“pausa” que encontramos após a leitura?
SITUAÇÃO DE APRENDIZAGEM
III
Elaborar, então, alguns cartazes, em grupo,
sobre a significação do texto para os alunos, propiciando uma situação de
aprendizagem em que os que têm menos dificuldades auxiliarão aqueles com mais
dificuldades, levando em consideração as propostas de Roxane
Rojo (em relação à heterogeneidade) e a
de Marinho Américo e Zoraide
Silva. Nesse momento, faz-se o trabalho de busca dos significados
das palavras desconhecidas. É feito um trabalho com vocabulário com relação as
palavras desconhecidas, como “barcaça”, “vacilante”,
entre outros, e a pesquisa em torno do autor, em busca da intencionalidade
deste ao escrever o texto – essas atividades podem ser realizadas na sala de
informática, antecedendo a produção dos cartazes.
SITUAÇÃO DE APRENDIZAGEM IV
Segue-se
com a apresentação dos cartazes para a sala promovendo a interação entre aluno
e professor e entre aluno e aluno, aproveitando para retornar à checagem de
hipóteses.
SITUAÇÃO DE APRENDIZAGEM V
Após
a realização dessas atividades em torno da leitura realizada pelos próprios
alunos, o professor lerá o texto oralmente na sala, como se fosse um “contador
de histórias”, pois, acreditamos que a leitura realizada pelo docente pode
alterar a significação do texto, reconstruindo-a. Isso acontece porque o
docente obedece às pausas que são fundamentais para o sentido do texto, as
quais são dadas a partir da utilização da pontuação e de período curtos, entrecortados, o que pode, a primeira vista, passar
despercebido ao aluno do 6ºano.
SITUAÇÃO DE APRENDIZAGEM VI
Apresentar ao aluno o gênero CRÔNICA
(sua função social, características e meio de circulação) pode-se aproveitar,
para trabalhar com a pontuação (o ponto final e a vírgula) no sentido de que é
ela a responsável pelas pausas nos textos escritos. Isso pode ser feito
por meio da pesquisa dos alunos em uma gramática levada para a sala de aula
para que eles cheguem à função da pontuação nos textos.
SITUAÇÃO DE
APREDIZAGEM VII
Depois da
leitura do professor, conclui-se a etapa de checagem de hipóteses e parte-se
para a localização de informações explícitas e implícitas no texto, o que pode
ser feito em uma roda de conversa, que tem o objetivo de refletir sobre o texto
e trocar informações e experiências de vida. Eles já sentiram essa
necessidade na vida deles?
SITUAÇÃO DE APRENDIZAGEM VIII
Construção
de uma crônica a partir das experiências individuais de cada aluno.
Local
da aula – Salas de multimídia e informática
Público
alvo – 6º ano
Número de aulas – 09 a 10 aulas
(DOLZ, Joaquim e SCHNEUWLY, Bernard e colaboradores. Gêneros Orais e Escritos na Escola. Trad. e organiz. ROJO, Roxane e CORDEIRO, Glaís Sales. 2 ed., Campinas, SP: 2010.P.50 a 53. ROJO, Roxane. Letramentos múltiplus, escola e inclusão social. São Paulo: Parábola Editorial, 2009. SCLIAR, Moacyr. In BOSI, Alfredo (org.). O Conto Brasileiro Contemporâneo. São Paulo: Ed. Cultrix, s/d. pp. 275-277. Filme Click, 2006. Revolution. Columbia Pictures)
Trabalhando a leitura e a escrita Público-alvo: alunos do 6º ano
Crônica sugerida
NO AEROPORTO
Viajou meu amigo Pedro. Fui levá-lo ao Galeão, onde
esperamos três horas o seu quadrimotor. Durante esse tempo, não faltou assunto
para nos entretermos, embora não falássemos da vã e numerosa matéria atual.
Sempre tivemos muito assunto, e não deixamos de explorá-lo a fundo. Embora
Pedro seja extremamente parco de palavras, e, a bem dizer, não se digne de
pronunciar nenhuma. Quando muito, emite sílabas; o mais é conversa de gestos e
expressões pelos quais se faz entender admiravelmente. É o seu sistema.
Passou dois meses e meio em nossa casa, e foi hóspede
ameno. Sorria para os moradores, com ou sem motivo plausível. Era a sua arma,
não direi secreta, porque ostensiva. A vista da pessoa humana lhe dá prazer.
Seu sorriso foi logo considerado sorriso especial, revelador de suas boas
intenções para com o mundo ocidental e oriental, e em particular o nosso trecho
de rua. Fornecedores, vizinhos e desconhecidos, gratificados com esse sorriso
(encantador, apesar da falta de dentes), abonam a classificação.
Devo dizer que Pedro, como visitante, nos deu trabalho;
tinha horários especiais, comidas especiais, roupas especiais, sabonetes
especiais, criados especiais. Mas sua simples presença e seu sorriso compensariam
providências e privilégios maiores.
Recebia tudo com naturalidade, sabendo-se merecedor das
distinções, e ninguém se lembraria de achá-lo egoísta ou importuno. Suas horas
de sono - e lhe apraz dormir não só à noite como principalmente de dia - eram
respeitadas como ritos sagrados, a ponto de não ousarmos erguer a voz para não
acordá-lo. Acordaria sorrindo, como de costume, e não se zangaria com a gente,
porém nós mesmos é que não nos perdoaríamos o corte de seus sonhos.
Assim, por conta de Pedro, deixamos de ouvir muito
concerto para violino e orquestra, de Bach, mas também nossos olhos e ouvidos
se forraram à tortura da tevê. Andando na ponta dos pés, ou descalços, levamos
tropeções no escuro, mas sendo por amor de Pedro não tinha importância.
Objetos que visse em nossa mão, requisitava-os. Gosta de
óculos alheios (e não os usa), relógios de pulso, copos, xícaras e vidros em
geral, artigos de escritório, botões simples ou de punho. Não é colecionador;
gosta das coisas para pegá-las, mirá-las e (é seu costume ou sua mania, que se
há de fazer) pô-las na boca. Quem não o conhecer dirá que é péssimo costume,
porém duvido que mantenha este juízo diante de Pedro, de seu sorriso sem
malícia e de suas pupilas azuis — porque me esquecia de dizer que tem olhos
azuis, cor que afasta qualquer suspeita ou acusação apressada, sobre a razão
íntima de seus atos.
Poderia acusá-lo de incontinência, porque não sabia
distinguir entre os cômodos, e o que lhe ocorria fazer, fazia em qualquer
parte? Zangar-me com ele porque destruiu a lâmpada do escritório? Não. Jamais
me voltei para Pedro que ele não me sorrisse; tivesse eu um impulso de
irritação, e me sentiria desarmado com a sua azul maneira de olhar-me. Eu sabia
que essas coisas eram indiferentes à nossa amizade — e, até, que a nossa
amizade lhe conferia caráter necessário de prova; ou gratuito, de poesia e
jogo.
Viajou meu amigo Pedro. Fico refletindo na falta que faz
um amigo de um ano de idade a seu companheiro já vivido e puído. De repente o
aeroporto ficou vazio.
Carlos Drummond de Andrade
Atividades
propostas
Trabalhando a oralidade
1) Fazer
a leitura do 1º parágrafo do texto e indagar
a respeito de quem poderia ser Pedro. Repetir a mesma estratégia com os
demais parágrafos do texto.
2)Montar
um quadro na lousa com as hipóteses levantadas pelos alunos com as justificativas adequadas para cada
hipótese.
3)Pedir
uma pesquisa para os alunos sobre o autor Carlos D. de Andrade
Interpretação
de texto
4)Este
texto de Drummond fala sobre o que?
5)Onde
se passa a história e com quem?
O que é Galeão? ( Localizar
informações, inferências locais)
Ainda fazendo inferências: Por que
a relação do narrador com Pedro nos parece estranho (antes do desfecho)?
6)Qual
foi a intenção do autor ao expor o estranho comportamento de seu amigo?
Intertextualidade
Texto: “Trem- Fantasma”, de Nilton Maciel.
Trem-fantasma - O maquinista, logo após o desastre, deu um
grito, levou as mãos à cabeça, pôs-se a chorar e recostou-se a um canto da
parede, sentando-se. Descuido? Imprudência? A locomotiva partiu da estação
primeira já em alta velocidade e, num segundo, alcançou a segunda, a terceira,
feito bala, apitando, sem parar em nenhuma estação. Quando o maquinista
percebeu o perigo, não havia mais tempo para frear o trem. O precipício
abria-se à sua frente, profundo, mortal. O homenzinho fez careta, arregalou os
olhos: os vagões resvalaram, despedaçando-se no fundo do abismo. "Ó meu
Deus!" Porém, havia um consolo: nenhum passageiro havia subido aos
vagonetes. E ajudantes ele nunca teve. Assim, nada de vítimas. Mais sossegado,
enxugou as lágrimas e engatinhou até o primeiro pedaço do trem. Pôs-se a juntar
um a um os restos do veículo. Olhou para cima, para a grande mesa da sala, onde
o desastre teve início.
Nilto Maciel
7)Interdiscursividade
na estética: O que há em comum entre os
textos?
8)Apreciações
estética afetiva: Qual dos dois textos surpreende mais?
9)No
texto de Drummond, se o amigo Pedro não fosse uma criança, as atitudes
compreensivas do narrador seriam as mesmas?
10)O
velho e a criança tem muito em comum.
a)Quais
as marcas do texto mostram essas semelhanças?
b)O
narrador é jovem ou velho? Justifique com palavras do texto.
Um poucode gramática
11)Retirar palavras e expressões que deem
dicas de quem é Pedro, procurando classificá-las morfologicamente e explicando
a sua função no texto.
Redação
12)Propor a produção de um pequeno texto
narrativo, em grupos, que seja surpreendente, em que o grupo deva fazer o jogo
de mostrar e ocultar, para apresentar a classe de forma dinâmica.
sexta-feira, 14 de junho de 2013
Caros colegas,
Este vídeo é sobre um Projeto de Leitura e Escrita feito em uma escola de São Carlos para trabalhar a competência leitora. Achei muito interessante.
Abraços
Minha experiência com a leitura, de fato, se deu aos 15 anos, quando peguei o livro "Se houver amanhã", de Sidney Sheldon, para ler. O livro era da minha mãe, ela fazia coleção dos livros de Sheldon. Lembro que não levei três dias para ler, tamanha era a minha curiosidade em saber mais sobre a golpista da história. Fiz a maior propaganda do livro para meus colegas de escola e amigos da época. A partir de então comecei a me interessar pela leitura de livros de ficção. Li "Do outro lado da meia noite", do mesmo autor e tantos outros...
A escrita sempre esteve presente em minha vida. Começou com a agenda, parti para os poemas e cheguei nos textos teatrais. Hoje em dia, escrevo peças de teatro. Quer dizer, oficialmente, só registrei três delas, as quais também produzi e dirigi.
Sou formada como atriz, e o teatro me fascina. Costumo usar da minha dramaticidade em sala de aula para ler textos. Os alunos gostam bastante!
Até hoje ainda não sei se sou uma professora atriz ou uma atriz professora...
Olá a todos os colegas!
Gostaria de
dizer como é fantástico relembrar as minhas memórias literárias e ler as
experiências que todos tiveram em suas vidas. Lembro-me como se fosse hoje, quando
meu falecido e querido pai colocava historinhas de contos infantis em “disco de
vinil” para que eu ouvisse e depois me incentivava a escrevê-las em um caderno para
ver se eu havia entendido. Creio que essa foi a minha base de incentivo a leitura
e a escrita. Obrigada meu pai herói pelas
lembranças fantásticas que deixaram marcas inesquecíveis em minha vida e que me
incentivaram a continuar neste mundo maravilhoso da leitura e produção de
textos.
Um fato que
marcou minha vida foi quando li as primeiras histórias em quadrinhos e os
livros infantis que minha madrinha, que se chamava Vicentina, me presenteava.
Ela dava livros porque somente assim eu ficava mais quietinha, pois era muito
levada e, como podemos dizer atualmente, hiperativa. Precisava de algo que me
fizesse ficar concentrada e ela descobriu que os livros me deixavam mais
compenetrada, e assim adentrar ao mundo da leitura. E como era gostoso viajar
no mundo da imaginação. Por isso quando os autores, Contardo Calligaris,
Antônio Cândido e Rubem Alves, descreveram suas viagens reais e fictícias na
busca de novas experiências que pudessem passar adiante para seus leitores, me
identifiquei, pois o fomento da imaginação e dos sonhos é o alicerce de que
dispomos como educadores para atrair a atenção de nossos alunos, instigando-os
a adquirirem conhecimentos que os levem a concretização de seus projetos de
vida. Atualmente trabalho a cada quinze dias com aula de leitura, contando alguma história para mostrar aos alunos como é importante viajarmos no mundo da imaginação. Dependendo do gênero textual que estou trabalhando. Levo meus alunos dos 5º anos e da 6ª série ao pátio da escola, onde temos mesas, e deixo vários livros sobre uma delas dando livre arbítrio para que escolham o que querem ler. Acredito fielmente que é a partir disso que muitos que não tem este incentivo em suas casas poderão ter a oportunidade de ler, desenvolvendo o prazer pela leitura. E de fato os que gostam de informática também gostam de ler livros convencionais. Beijos.
quarta-feira, 5 de junho de 2013
Adoro ler desde minha adolescência, quando descobri os livros, ( na época era leitura obrigatória e até hoje agradeço minha professora de Português). A Montanha Encantada e A Mina de Ouro simplesmente amava ficava horas lendo depois foi a série Vaga-Lume, até hoje muitos são referência de leitura. Lembro-me que no começo do ano letivo ela sorteava um livro para cada aluno comprar, depois trocava-se entre os amigos, quem lia mais livros no bimestre ganhava um livro da professora era uma loucura todos queriam, mas isso me marcou de forma positiva, mostrando todo fascínio que a leitura pode nos proporcionar.
Ah, não posso esquecer de mencionar que ganhei meu exemplar de A Mina de Ouro dessa professora, o qual agora estou passando para meu filho que está demonstrando grande amor pela leitura.